Isso é difícil de aceitar — mas é verdade.
Eu estava em um relacionamento estável.
Carinhoso. Seguro.
Com alguém que me tratava bem.
Não havia brigas constantes.
Não havia ciúme doentio.
Não havia violência.
A gente se entendia.
E, ainda assim… eu tinha me perdido.
Não foi de um dia para o outro.
A desconexão não veio como um choque, veio como um sussurro.
Sutil. Delicada. Quase imperceptível.
Eu fui abrindo mão de pequenos pedaços de mim.
Um hobby que deixei de lado.
Um silêncio que engoli.
Um sonho que arquivei “para depois”.
Uma roupa que parei de usar.
Um texto que não escrevi mais.
Nada parecia grave isoladamente.
Tudo tinha uma justificativa razoável.
Tudo era feito em nome da harmonia.
Em nome do amor.
Até que, um dia, me olhei no espelho — e não reconheci mais quem eu era.
Meu brilho tinha ficado para trás.
E foi ali que algo ficou claro, de um jeito quase doloroso:
o problema não era ele.
Era eu comigo.
Eu tinha parado de me escolher.
Por muito tempo, achei que a inquietação era ingratidão.
Que querer mais profundidade era exigência demais.
Que desejar ser vista além do óbvio era carência.
Aprendi cedo que, quando tudo parece “bom”, questionar soa como erro.
Mas relacionamentos bons também podem anestesiar.
Eles nos embalam.
Nos acomodam.
Nos fazem acreditar que tudo está bem —
quando, na verdade, estamos nos apagando aos poucos.
Conforto não é plenitude.
E silêncio interno não é paz.
O perigo não está no conflito.
Está na adaptação excessiva.
Naquele momento em que deixamos de ser inteiras
para nos tornarmos versões funcionais dentro da relação.
Não é sobre culpar o outro.
É sobre perceber a si.
Perceber quando você começa a se diminuir para caber.
Quando para de dizer não para não gerar ruído.
Quando troca presença por aceitação.
Quando vive uma tranquilidade que cobra um preço invisível.
E então vem a parte mais difícil —
e mais necessária.
Voltar.
Voltar a se escolher.
Voltar a ouvir a própria intuição.
Voltar a dizer não sem pedir desculpas.
Voltar a escrever.
Voltar a vestir o que faz sentido.
Voltar a sentir sem censura.
Voltar para casa.
A minha casa, aliás, sou eu.
Esse retorno não acontece de uma vez.
Ele é feito de camadas.
De escutas internas.
De pequenas reconciliações com aquilo que foi silenciado.
Foi nesse processo que escrevi o meu eBook.
Não como produto.
Mas como um registro de travessia.
Um grito silencioso de resgate.
Uma jornada de reencontro com a minha feminilidade, com a minha voz, com aquilo que ainda vibra — mesmo depois de tanto tempo calado.
Se você sente que vive um vazio disfarçado de tranquilidade…
Se, por fora, tudo parece certo, mas por dentro algo pede mais ar…
Talvez não seja hora de decidir nada.
Talvez seja só hora de se escutar.
De mulher para mulher:
você ainda lembra o que te fazia vibrar antes de tudo isso?
Se lembrar… já é um começo.
Um último convite (sem pressa)
Se este texto tocou em algo que você vinha tentando ignorar,
talvez não seja coincidência.
Talvez seja apenas o seu corpo — e a sua intuição —
pedindo espaço para voltar a existir inteira.
O eBook que escrevi nasceu desse mesmo lugar.
Não como resposta pronta,
mas como um acompanhamento silencioso para quem sente que se perdeu de si dentro de uma vida que parecia certa.
Ali, eu compartilho a travessia.
Os vazios.
Os reencontros.
E os pequenos retornos que me trouxeram de volta para casa.
Se você sentir que é o momento,
o caminho está aqui:
👉 Recomeço
Sem obrigação.
Sem promessa exagerada.
Apenas um espaço seguro para se escutar —
e, quem sabe, começar a se escolher de novo.
— Laecía

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