A Soberania do segundo ato
Nem toda exaustão é fraqueza.
Às vezes, é inteligência estratégica.
Não é que você tenha perdido a direção.
É que o mapa antigo já não comporta quem você se tornou.
Você estudou.
Construiu.
Liderou.
Se reinventou mais vezes do que gostaria de admitir.
Ainda assim, houve um momento em que o mercado — e a própria vida — começaram a sugerir silêncio.
Não por falta de capacidade, mas por excesso de presença.
Chamaram sua lucidez de burnout.
Sua seletividade de crise.
Seu cansaço de instabilidade emocional.
Mas há outro nome possível para esse estado:
o ponto em que continuar performando deixa de ser virtude.
A maturidade não pede palco.
Pede critério.
Não se trata de parar por esgotamento,
mas de recusar o esforço que já não devolve sentido.
Existe uma forma de soberania que só aparece no segundo ato da vida:
quando a mulher não precisa mais provar, convencer ou caber.
Não estamos quebradas.
Estamos saturadas do que não nos serve.
Saturadas de ambientes que exigem adaptação constante.
De narrativas que confundem potência com produtividade.
De explicações que já não produzem clareza.
Há um momento em que a alma chega antes do resto.
E quando isso acontece, insistir é uma forma sutil de violência interna.
Este manifesto não propõe um recomeço.
Propõe um encerramento.
O encerramento da tentativa de ser quem já não somos.
O encerramento da pressa.
O encerramento da necessidade de validação.
A soberania do segundo ato não é visível.
Ela é silenciosa, seletiva e profundamente lúcida.
E talvez seja exatamente por isso que assusta tanto.
Laecía
Este texto faz parte de uma reflexão contínua sobre maturidade, pós-consciência e os estados de transição feminina que não cabem mais nas narrativas tradicionais de sucesso ou esgotamento.
O que tocou você neste texto? Me conta aqui nos comentários