
Existe um tipo de cansaço que não melhora com descanso.
Você dorme, pausa, tenta organizar a agenda — e mesmo assim acorda com a sensação de que algo em você continua ficando para depois.
Não é falta de energia.
Não é preguiça.
E, na maioria das vezes, não é falta de amor próprio.
É autoabandono silencioso.
Aquele que acontece aos poucos, sem drama, sem ruptura visível.
Quando a mulher segue funcionando, cumprindo, resolvendo… mas vai se deixando fora da própria equação.
Este texto é para esse momento.
Não para te empurrar para um “novo começo”, mas para trazer clareza sobre onde você pode estar se abandonando — e como interromper isso sem violência interna.
O autoabandono que ninguém percebe
Muitas de nós chegam ao recomeço sem perceber que já estavam se perdendo muito antes da crise.
Não houve um colapso claro.
Houve micro-fraturas.
Pequenas concessões internas que se repetiram:
– “Depois eu vejo isso.”
– “Agora não dá.”
– “Preciso aguentar mais um pouco.”
– “Quando tudo se resolver, eu cuido de mim.”
O problema não é dizer isso uma vez ou outra.
O problema é viver assim.
Aos poucos, vamos aprendendo a nos adaptar ao desconforto, ao cansaço emocional, à confusão interna — como se isso fosse maturidade.
Mas maturidade não é aguentar tudo.
Maturidade é saber onde não dá mais para continuar do mesmo jeito.
Recomeçar não é mudar tudo. É parar de se abandonar.
Existe uma ideia muito difundida de que recomeçar exige força, coragem e grandes decisões.
Para muitas de nós mulheres, essa ideia só aumenta a culpa.
Porque quando você já está cansada, ouvir que precisa ser “forte” de novo soa quase como uma agressão.
O recomeço que proponho aqui é outro.
É o recomeço que começa quando você percebe:
“Eu posso não saber o que fazer agora,
mas sei que não posso continuar me deixando para depois.”
Essa clareza muda tudo.
Porque ela não te obriga a decidir a vida inteira.
Ela te convida apenas a interromper o abandono — hoje.
Cinco sinais de que você está se abandonando sem perceber
Talvez você se reconheça em alguns deles.
Não para se julgar, mas para nomear com honestidade.
1. Você vive no modo “funcionamento”
Você resolve o que precisa ser resolvido, mas sente que está apenas passando pelos dias, sem presença real.
Não há prazer, nem dor intensa.
Há um vazio operacional.
2. Você minimiza o que sente
Quando algo dói, você pensa:
“Não é tão grave.”
“Outras pessoas passam por coisas piores.”
E segue.
Esse hábito não te fortalece.
Ele te silencia.
3. Você adia conversas internas importantes
Sabe que algo precisa ser revisto — relação, rotina, limites — mas empurra porque “agora não é o momento”.
O problema é que o momento nunca chega sozinho.
Ele precisa ser criado.
4. Você cuida de tudo, menos de si
Agenda cheia, demandas atendidas, responsabilidades cumpridas.
Mas quando pensa em você, não sabe nem por onde começar.
Isso não é egoísmo reprimido.
É desconexão.
5. Você sente culpa só de pensar em parar
A ideia de pausar, dizer não ou mudar o ritmo vem acompanhada de culpa, medo ou sensação de fracasso.
Esse é um dos sinais mais claros de autoabandono crônico.
Clareza não é resposta. É direção suficiente.
Muitas de nós travam porque acreditam que só podem agir quando tiverem certeza absoluta.
Mas clareza emocional não funciona assim.
Clareza não é saber tudo.
Clareza é saber o suficiente para não se trair.
Às vezes, a única clareza disponível é:
– “Isso não está mais sustentável.”
– “Eu não quero continuar assim.”
– “Eu preciso parar de me violentar emocionalmente.”
Isso já é muito.
O erro é esperar uma solução perfeita antes de se respeitar.
Um exercício simples para interromper o autoabandono hoje
Não é um ritual complexo.
É um gesto mínimo de presença.
Pegue um papel ou abra uma nota no celular e responda, com sinceridade:
1. Onde eu me deixei para depois hoje?
(Não explique. Apenas nomeie.)
2. O que eu estou sustentando por hábito, não por verdade?
3. Qual seria um pequeno gesto de respeito comigo mesma agora?
(Algo possível. Pequeno. Real.)
Pode ser:
– adiar uma conversa que te esgota
– sair de um ambiente que pesa
– descansar sem se justificar
– dizer não, mesmo com desconforto
O objetivo não é resolver tudo.
É parar de se abandonar neste ponto específico.
Recomeçar com clareza é um processo, não um evento
Você não precisa “virar outra pessoa”.
Não precisa se reinventar.
Não precisa provar nada.
O recomeço feminino, quando é verdadeiro, costuma ser silencioso.
Ele começa quando você:
– se escuta
– se respeita
– e decide não continuar se deixando fora da própria vida
Esse processo não exige força heroica.
Exige presença honesta.
Um ponto de apoio para esse momento
Se este texto conversou com você, saiba que ele não nasceu isolado.
Ele faz parte de uma travessia maior, que organizei na Jornada Interior — um material gratuito, criado para mulheres que estão em transição emocional e precisam de clareza sem pressa, sem cobrança e sem se violentar.
A Jornada não promete transformação rápida.
Ela oferece pausa, perguntas certas e direção interna.
👉 Baixe gratuitamente a Jornada Interior (PDF).
Use no seu tempo.
Sem obrigação.
Sem performance.
Recomeçar, às vezes, é só isso:
parar de se abandonar hoje.
Laecía
