Quando o corpo se fecha, nem sempre é sobre faltaUma reflexão sobre cansaço, presença e vitalidade no feminino
Uma reflexão sobre cansaço, presença e vitalidade no feminino

Nota de leitura
Este texto faz parte do Mapa da Alma e foi escrito para mulheres que atravessam cansaço profundo, desconexão corporal e processos de reorganização interna.
Não é um texto sobre desempenho, sedução ou relacionamento, mas sobre escuta, presença e cuidado no feminino.
No Mapa da Alma, muitas mulheres chegam trazendo a mesma sensação:
o corpo continua funcionando, mas algo deixou de estar disponível.
Não se trata, necessariamente, de tristeza ou desânimo.
É mais sutil do que isso.
É um cansaço que se instala aos poucos e altera a forma como a mulher habita o próprio corpo.
A rotina segue.
As responsabilidades são cumpridas.
Mas a presença diminui.
Em algum momento, o corpo deixa de responder com a mesma vitalidade.
O prazer perde espaço.
A disposição se retrai.
O contato com o próprio corpo se torna mais distante.
Diante disso, é comum buscar explicações rápidas.
Fases da vida.
Excesso de tarefas.
Mudanças hormonais.
Adaptações necessárias.
Todas essas leituras podem fazer sentido.
Mas nem sempre explicam o essencial.
Um corpo que vive por muito tempo em estado de exigência não se expande.
Ele se protege.
Quando a energia está baixa, o corpo feminino entra em modo de preservação.
Sustenta o que é necessário para seguir,
mas silencia o que exige abertura, disponibilidade e presença.
Isso não aponta falha.
Aponta limite.
Existe uma confusão frequente entre vitalidade e estímulo.
Como se a resposta do corpo pudesse ser recuperada por insistência, ajustes externos ou força de vontade.
Mas a vitalidade feminina não nasce da pressão.
Ela emerge quando o corpo se sente seguro para habitar a si mesmo.
E segurança não se constrói na cobrança.
Constrói-se na escuta.
Escutar o corpo não é abandonar a vida nem romantizar o cansaço.
É reconhecer que sustentar tudo sozinha, por tempo demais, cobra um preço silencioso.
Em algum ponto, o corpo começa a pedir outra forma de relação.
Menos exigência.
Mais presença.
Talvez o que esteja ausente não seja vontade.
Talvez seja vitalidade —
não como conceito idealizado,
mas como experiência real de estar no próprio corpo.
Vitalidade não é agitação.
Não é produtividade.
Não é aparência.
É espaço interno.
É resposta corporal.
É descanso sem culpa.
É movimento que não pune.
Quando essa vitalidade começa a ser reconstruída, muitas coisas se reorganizam sem esforço.
Não porque foram forçadas,
mas porque o corpo deixa de operar em estado de sobrevivência.
Algumas ausências não pedem correção imediata.
Pedem atenção.
O corpo sinaliza o tempo todo.
O que muda é se a mulher consegue escutar antes de se afastar completamente de si.
Talvez esse seja o convite mais honesto:
observar com mais lucidez o tipo de vida que vem sendo sustentada
e reconhecer quando é preciso reorganizar a forma de habitar o próprio corpo.
É nesse espaço — entre consciência e presença —
que novos caminhos começam a se formar.
Laecía



